Um blog sobre design, experimentos com tecnologia, pensamentos, links, livros, pesquisas do meu mestrado e qualquer coisa a mais que der na telha. Escrito por Brenda Lucena, designer de interação da equipe de inovação da MJV, mestranda da PUC-Rio e uma curiosa por tudo que relaciona tecnologia e design.
Neste artigo da Technology Review, a equipe de pesquisa da Georgia Tech apresenta o KHARMA - sigla de KML/HTML Augmented Reality Mobile Architecture-, que tem o objetivo de tornar o emprego de RA em smartphones mais corrente através dessa ferramenta open standard. Na verdade, o KHARMA atua de maneira a facilitar o desenvolvimento de aplicações web de RA para celular, que posteriormente podem ser viabilizadas através de um navegador, que no caso da Georgia Tech se chama Argon.
No entanto, a Layar (empresa holandesa) e a Metaio (empresa alemã) já viabilizam uma ferramenta para desenvolvimento de RA em celulares, que apesar de não serem open source, cumprem o seu papel de tornar o desenvolvimento de aplicativos de RA para celular mais popular. Vale ressaltar que torna somente o seu desenvolvimento popular, não o uso.
A matéria é concluída com o desejo primordial do navegador que está sendo desenvolvido pelo centro de estudos do Georgia Tech: ”One of the goals of Argon is to find out what’s the killer app for AR,”. Ou seja, espera-se que algum aplicativo se destaque dentre os inúmeros desenvolvidos. A verdade é que ainda não se descobriu para que a Realidade Aumentada pode ser útil ao grande público. Falta essa “killer application” que muitos buscam.
Não quero desmerecer o esforço dos cientistas, mas não acredito que essa “killer app” surja através do desenvolvimento de qualquer coisa que tem por essência a padronização (standard). Na prática, o que os browsers da Layar e da Metaio têm nos mostrado são aplicações para celular muito semelhantes e que não atendem as necessidades reais das pessoas. Por isso, ninguém deixa de usar os aplicativos que já as atendem para usar outros que têm a mesma funcionalidade, mas tem essa tal de Realidade Aumentada para visualizar umas imagens voando no seu ambiente local.
Qual seria a vantagem, por exemplo, de se visualizar tweets próximos, sobrepostos ao ambiente local? Por que se trocaria o aplicativo para twitter usual por um que usa RA?
Até hoje, não fui convencida a trocar o que já acesso no meu celular (twitter, instagram, facebook, email, foursquare, tradutor…) por outros aplicativos com a mesma funcionalidade, mas que fazem uso de RA para visualização.
Espero que essas empresas que desenvolvem soluções com RA hoje em dia e que recebem voluptuosos investimentos (como se pode ver aqui e aqui), percebam logo que é preciso investir e pensar além da tecnologia.